Show da Shakira em Copacabana: a presença confirmada que ninguém tá falando
- Patrícia Batista
- há 4 horas
- 3 min de leitura

Já tá todo mundo se preparando pra cantar Waka Waka no Lobacabana em 2 de maio. A expectativa é de 2,5 milhões de pessoas na areia para o show gratuito de Shakira, a terceira edição do "Todo Mundo no Rio".
Esse promete ser o maior show da carreira da cantora e, provavelmente, uma das maiores noites da história de Copacabana. Já tem DJ Vintage Culture e DJ Maz confirmados, mas tem uma presença confirmadíssima que tá sendo pouco falada. Sabe qual é?
A grande atração
É muita gente. E quando a gente pensa em muita gente, o que vem logo à cabeça? Consumo.
Para lidar com isso, a Prefeitura do Rio preparou 2 mil garis para atuar antes e após o show, além de 2.000 contêineres de 240 litros e 250 contêineres de alta capacidade para descarte correto de resíduos. Apesar de toda essa preparação, a grande atração confirmada, com certeza, é o plástico e os diversos outros tipos de resíduos jogados no chão.
Vai junto a garrafinha de água, a latinha, o saquinho do lanche, o canudo. Multiplicado por 2,5 milhões de pessoas, isso vira toneladas de resíduos. E tudo que é descartado de forma incorreta acaba ficando nas areias de Copacabana e, em muitos casos, segue direto para o oceano.
Por mais que a gente torça pra que dessa vez seja diferente, o histórico dos shows anteriores não anima.
O que os shows anteriores deixaram pra trás
No show da Madonna, em 2024, a Comlurb retirou 287 toneladas de resíduos da areia de Copacabana. No da Lady Gaga, em 2025, foram 392 toneladas, removidas numa força-tarefa com 1.630 garis. O resíduo só aumentou de um show para o outro.
Com um público ainda maior esperado para o show da Shakira em Copacabana e sem políticas públicas robustas para reduzir o uso de plástico, tanto na produção das grandes empresas quanto no consumo individual, a tendência é que esse número siga subindo.
Por que o impacto ambiental do show da Shakira chega até o oceano
Grande parte dos resíduos encontrados nas praias contém plástico. E o mais preocupante é que o plástico não se decompõe: ele fragmenta, vira microplástico e, em muitos casos, segue direto para o oceano. Em grandes eventos na orla, parte do que fica na areia pode acabar no mar, levada pela maré, pelo vento, pela chuva.
Hoje, em média, um caminhão cheio de plástico é despejado no oceano a cada minuto, acumulando cerca de 11 milhões de toneladas por ano. Grandes eventos como esse servem de alerta para olharmos o que está acontecendo e para evitar que a coisa piore.
Muita gente não liga porque não enxerga como isso afeta a própria vida. Como um canudinho de plástico jogado no chão no show da Shakira afeta a minha vida? Para desfazer essa ideia, é preciso lembrar que na natureza tudo está conectado e que a gente faz parte dela.
Mergulhe mais fundo nesse tema: Como resgatar a conexão com a natureza
A tampinha deixada na praia pode parar no estômago de um peixe e isso afeta não só a saúde dos animais marinhos, mas a nossa também. O plástico já foi encontrado no sangue humano e até no leite materno.
Agora que você entendeu que o problema é sério e afeta não só os animais marinhos, mas também ecossistemas e a saúde humana, deve estar se perguntando: o que fazer? Então vamos lá!
O que você pode fazer
O melhor caminho é sempre não gerar resíduos. Em grandes shows onde itens como garrafas próprias são proibidos, o jeito é levar uma ecobag para guardar tudo que for consumido. Reduzir já faz diferença real, especialmente em escala de milhões de pessoas.
Precisamos de mais políticas públicas para conter a geração de plástico na base: na produção das empresas. E de mais infraestrutura de coleta seletiva em eventos dessa escala. Mas, enquanto esse cenário ideal não chega, fazer a nossa parte é uma forma concreta de ação.
A Loba com certeza vai dar um show. E você também pode, com as escolhas que faz no dia a dia.
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