Por que o Rio de Janeiro é um dos melhores lugares do mundo para avistar baleias jubarte
- Nas Marés

- 13 de jul.
- 3 min de leitura

Todo ano, entre julho e outubro, baleias jubarte — animais de até 16 metros e 40 toneladas — surgem na superfície do Atlântico a poucos quilômetros da orla do Rio de Janeiro. Às vezes em grupos, às vezes tão perto da costa que dá para ver do barco sem binóculo.
A biologia, a história e a geografia se encontram nesse ponto específico do planeta. E o resultado é uma das janelas de acesso mais raras do mundo para um dos maiores espetáculos da natureza.
A maior migração de mamíferos do mundo passa pelo Rio
A baleia jubarte (Megaptera novaeangliae) percorre entre 5.000 e 8.000 km da Antártica até o litoral brasileiro todos os anos — uma das maiores migrações de mamíferos registradas na Terra. Elas chegam ao litoral do Rio de Janeiro e do Espírito Santo para reproduzir, parir e amamentar.
As águas mornas do Atlântico Sul protegem os filhotes recém-nascidos — que chegam a nascer com 4 metros — enquanto ainda não têm gordura suficiente para sobreviver nas temperaturas da Antártica.
O litoral carioca é parte dessa rota há milênios.
Uma história de quase extinção — e de recuperação
No auge da caça comercial, no século XX, a população de jubarte no Atlântico Sul Ocidental foi reduzida a menos de 3.000 indivíduos. A espécie estava à beira do colapso.
Com a proibição da caça e os programas de proteção implementados a partir dos anos 1980 — coordenados no Brasil pelo Instituto Baleia Jubarte desde 1988 — a recuperação foi notável. Hoje, estima-se que quase 10.000 jubarte habitam a costa brasileira durante a temporada, contra aproximadamente 3.000 em 2002.
O aumento nos avistamentos no Rio é consequência direta dessas décadas de proteção ambiental. O oceano respondeu.

As Ilhas Cagarras: um ponto de encontro raro
A 8 km da orla de Ipanema, o Arquipélago das Cagarras é reconhecido pelo Projeto Baleias do Rio como um dos melhores pontos de avistamento de jubarte em todo o estado. Seis espécies de cetáceos habitam as águas ao redor das ilhas em diferentes períodos do ano.
Em 2021, a região foi designada pela organização Mission Blue como um Hope Spot — área de importância crítica para a saúde dos oceanos — reconhecendo tanto a biodiversidade local quanto o trabalho de pesquisa e conservação desenvolvido na região.
As jubarte mais jovens são as que mais se aproximam da costa, e as que mais aparecem para quem está no barco.
O que faz o Rio ser diferente
A maioria das pessoas associa avistamento de baleias a destinos remotos: Alaska, Islândia, Nova Zelândia. O Rio de Janeiro oferece uma das maiores migrações de mamíferos do mundo a menos de uma hora de barco do centro da segunda maior cidade do Brasil.
Décadas de conservação bem-feita e uma rota migratória que passa pela costa carioca explicam o que você vê hoje. Entre julho e outubro, o Atlântico do Rio deixa de ser pano de fundo.
Como vivenciar isso de perto
A Nas Marés realiza expedições oceânicas de um dia a partir da Urca, com saídas programadas durante toda a Temporada Oceânica 2026. As expedições não prometem avistamento, prometem o oceano de verdade, com contexto científico, equipe especializada e o Arquipélago das Cagarras como território.
Baleias são uma possibilidade. E quando aparecem, ninguém que estava no barco esquece.
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